terça-feira, 28 de junho de 2022

Introdução - Targum de Jerusalém

 

INTRODUÇÃO

O Targum1 de Jerusalém (também conhecido como Targum Pseudo-Jônatas) é um targum ocidental da Torá (Pentateuco, Lei de Moisés) preservado na terra de Israel (o targum oriental preservado na Babilônia é chamado Targum Onkelos). O título correto é Targum de Jerusalém, que é como ele era conhecido nos tempos medievais, mas por causa de um erro foi rotulado Targum Jônatas, em referência a Yonatan ben Uziel. Algumas edições do Pentateuco continuam a chamá-lo de Targum Jônatas até hoje.

O Talmud relata que Yonatan Ben Uziel, supostamente um estudante de Hillel, realizou uma tradução aramaica dos Profetas. O Talmud não faz nenhuma menção de qualquer tradução por ele da Torá (Lei de Moisés). Assim, a maioria dos estudiosos acreditam que este Targum não é de Yonatan Ben Uziel. Por estas razões, os estudiosos chamam de "Targum Pseudo-Jônatas". Por outro lado, conforme John Etheridge, a evidência interna das duas obras (profetas e Torá) sugere que as duas obras possuem um mesmo autor.

Existiam dois manuscritos desse targum, apenas um permaneceu e se encontra atualmente no Museu Britânico e foi publicado pela Ginsburger em 1903. Este targum é mais do que uma mera tradução, ele inclui muito material coletado de diversas fontes antigas, bem como material anterior ao Talmud. Por isso, é uma combinação de um comentário e tradução. Nas partes onde é a tradução pura, muitas vezes concorda com o Onkelos.

Além do texto do Targum de Jerusalém, a presente obra adotou o texto dos targumim fragmentários, que são exemplares do tipo de targum chamado palestino, consistindo de fragmentos de textos que eram variantes do texto majoritário dos targumim chamados palestinos. Todas as vezes esses textos são citados em notas de rodapé, à excessão de passagens muito semelhantes ao Targum de Jerusalém, nestes casos se evitou a repetição desnecessária.



TRANSLITERAÇÃO DE NOMES


Nesta obra os nomes bíblicos são transliterados conforme o texto original, sendo transliterado conforme o hebraico bíblico, ou o texto aramaico. Adotou-se a massorá (vocalização das palavras) hebraica para diversos termos que possuem a mesma grafia das palavras hebraicas, no caso de termos aramaicos adotou-se a massorá oriental ou o que se assemelha ao termo em questão. O leitor precisa se familiarizar com as regras de transliteração do idioma para uma leitura mais correta dos nomes. Não aapenas nomes próprios foram transliterados, mas nomes que estejam relacionados a um entendimento mais correto do texto, como por exemplo, os nomes Sh’maia’ (Céus), Mala’khi’ (anjos), entre outros. O leitor pode usar o glossário que se encontra no final da obra para compreender determinados termos.

A correta pronúncia de termos hebraicos requer um entendimento de regras de transliteração. Entretanto, de uma forma geral o leitor pode usar as seguintes regras: todas as vezes que o texto possuir as letras “tz” (como em tzadiq) é equivalente ao “tz” em “blitz”; palavras que possuem as


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  1. O termo targum significa “tradução”, e é utilizado para se referir a certas traduções judaicas feitas das escrituras hebraicas para o aramaico. Nem toda tradução é chamada de Targum, apenas certos tipos textuais que se popularizaram entre os judeus.

letras “sh” devem ser lidas como o som de “ch” (como chiar); palavras que possuem as letras “ch” devem ser lidas como o som gutural do ch alemão, como em “Bach”. O h, quando aparece no texto, sempre indica um som aspirado. Algumas palavras possuem um apóstrofo (‘) e podem indicar três coisas: 1) A ausência de vogal em uma sílaba, indicando que a letra possui som mudo 2) A presença do “alef” 3) A presença do “ayin”; nos dois últimos casos é imprescindível que o leitor conheça as regras de pronúncia desses termos, um leitor desabituado pode ignorar o apóstrofo e apenas pronunciar a palavra ignorando o sinal, entretanto para uma leitura mais correta deve aprender as regras para a transliteração de nomes hebraicos. Devido à dificuldade que alguns possuem em relação à pronúncia desses termos, manteve-se o seguinte modelo: quando um termo aparece pela primeira vez no texto, ele é seguido pelo termo coloquial, por exemplo, o termo Mosheh é seguido no início do parágrafo pelo termo Moisés entre parêntesis, assim os demais termos mantêm a pronúncia hebraica transliterada, que o leitor pode optar. Alguns termos não possuem essa regra, devido ao pouco uso que se faz dele no texto, nesse caso o leitor desabituado pode fazer uso do glossário.

O termo aramaico “Memra” é um nome composto da raiz “’amar”, em aramaico “falar”, e significa o “ato de falar”, “estar falando”, “dizendo”, e é usado em diversas passagens juntamente com o nome divino. O termo “Memra” no Targum é um sinônimo para o próprio nome divino. De acordo com o pensamento judaico, a “Palavra” era uma representação da mente e da vontade divina, denota a ação de Deus, os propósitos divinos, etc. O nome divino é comumente usado em relação à Memra’. No targum Yonatan encontra-se a forma trilítera: (ייי), é uma repetição do nome divino três vezes (deve ser lido como יהוה יהוה יהוה, transliterado como YHWH YHWH YHWH, ou Yahweh, Yahweh, Yahweh) e é uma força de expressão. O termo “Deus” no targum é ‘Eloqim, uma versão do hebraico “’Elohim”. Ou ainda ‘Eloqa’, do hebraico ‘Eloá.



ALERTA PARA O USO COMO TEXTO SAGRADO


O Targum de Jerusalém não deve ser utilizado como texto sagrado. O entendimento do targum a respeito do texto hebraico pode parecer confuso para alguns, entretanto é uma leitura antiga e a visão pessoal de um grupo religioso a respeito de diversos temas. O Targum traduz o texto hebraico com ampla liberdade, interpretando o texto mais do que traduzindo literalmente, além de incluir no texto tradições judaicas diversas. Alguns versos são apenas traduções literais do texto hebraico, outros são explicações ou interpretações do texto segundo o entendimento de antigos grupos judaicos, e muitas das vezes contraditórias ou confusas. Assim o entendimento religioso que um grupo possuía em dado momento histórico não necessariamente é o mesmo que grupos antigos teriam. Levando-se em conta todos esses fatores, o leitor deve usar o presente texto como fonte de estudo e pesquisa, mas deve ter cuidado ao extrair doutrinas que venham a influenciar seus costumes e comportamentos, pelo menos de forma maliciosa. Por outro lado, um leitor sensato pode extrair do texto uma fonte de bons conselhos que o levem a uma conduta de paz, amor e compreensão para com seu semelhante.



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